domingo, 26 de setembro de 2010

A mulher e a TPM

Uma mulher atacada por uma crise de TPM é a prova mais inconteste, verdadeira e absoluta de que a tortura existe.

GM

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Graceland

Paul Simon não é o maior vendedor de discos do mundo. De fato não é.
Na lista da Bilboard, seu trabalho solo de maior destaque é Graceland, que vendeu mais de 15 milhões de discos e está em 124º lugar.
Longe da lenda Michael Jackson que na lista emplacou 03 trabalhos entre os 10 primeiros, somando a estúpida cifra de 183 milhões de discos, só com Thriller, Bad e Dangerous.
Durma com um barulho desses !
Paul Simon também não se compara a Roberto Carlos, em termos de números, que já vendeu 112 milhões de discos, mas Roberto não é muito normal não. Esse comparativo não serve pra nada. Parece coisa de consultor de empresas.

Mas o trabalho de Paul Simon não é exatamente para as massas. Não é exatamente comercial.
Intimista. Com um pé no jazz e outro no folk. Moderno a ponto de misturar axé brasileiro e vocais africanos em trabalhos semi-pop, Paul segue mais para Dolores Duran do que para Carmem Miranda.

O cara é bom. Já o conhecia desde os tempos do disco ao vivo gravado no show do Central Park (1978, acho) e também desde a trilha do filmaço "Graduate" (A 1ª Noite de um Homem) com Dustin Hoffman.
Aqui destaco o trabalho Graceland de 1986 que chegou às minhas mãos hoje no formato LP.

Uma resenha inovadora de batuques, arpejos, côros e cordas. Somente um Paul que já foi o Simon da dupla folk Simon & Garfunkel seria capaz de se reinventar e beber das almas brasileiras e africanas, para produzir uma obra-prima.

Recomendo.

GM

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Legião

Chegando de Brasília, eles vieram com um som muito cru e cheio de sintonia com o hoje.


Os acordes eram básicos e naturais. Os arranjos deixavam a desejar e a harmonização era desnecessária.


A Legião foi uma banda de movimentos poéticos e solitários. O rock brasileiro já tinha a consistência de um Barão Vermelho e as experiências de Vímana e Terço.


Faltava apenas identidade.



Com um som de garagem e pobre de recursos (pelo menos até o disco "O Descobrimento do Brasil"), Renato, Marcelo e Dado povoaram as noites e o imaginário de jovens new-wavers que balançavam muito a cabeça e ouviam muito pouca música.


Renato era a alma e a voz; Dado a estrutura e Bonfá os rascunhos.


De Legião I a "Quatro Estações" houve uma evolução musical grande e uma deterioração comportamental suja.


Paciência.



Recomendo "Perfeição" uma faixa-poema que precisava ser escrita.



GM

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Antes do meu remédio

Antes de ouvir Beatles eu não passava de um punhado de moléculas. Depois, me agrupei.
Antes de ouvir Little Feat eu era meio cego dos ouvidos. Depois, me completei.
Antes de ouvir Caetano eu era como um pequeno carrapato. Depois me ajustei.
Antes de ouvir Ray Charles eu era como um amorfo largado num canto qualquer. Depois, me estruturei.
Antes de ouvir Tim Maia eu era um incompleto viajante. Depois, me orientei.
Antes de ouvir Stones eu era uma pedra bruta juvenil. Depois, me arredondei.

Antes de ouvir Louis Armstrong era como se eu fosse um pobre diabo. Depois, me exorcizei.

Antes de ouvir Raul de Sousa eu era indiferente. Depois, me reparei.


Antes de ouvir Paul Simon eu era um errante caminhando. Depois, me aprumei.

Antes de ouvir Chico era como se eu fosse uma resma de folhas soltas. Depois, me encadernei.

Antes de ouvir Sinatra eu era tão pequeno. Depois, me agigantei.

Antes de ouvir Bob Dylan eu era um pequeno e massante burguês. Depois, me retoquei.

Antes de ouvir Tom Jobim eu era com uma poça fria na estrada. Depois, me enxuguei.

Antes de ouvir Julie London eu era um idiota egocêntrico. Depois, me apaixonei.

Antes de ouvir Djavan minha cabeça era de pedra. Depois, me arejei.

Antes de ouvir Stan Getz minhas mãos tremiam. Depois, me acalmei.

Antes de ouvir Doors minhas pernas eram curtas. Depois, me estiquei.

Antes de ouvir Marisa Monte eu era um pobre bitolado. Depois, me espalhei.


Antes de ouvir Nina Simone eu era uma pequena lesma febril. Depois, me superei.

Antes de ouvir Tony Bennet, Elis Regina, Aretha Franklin, Edu Lobo, Etta James, SuperTramp, Eric Clapton, Renaissance, Elvis, Luiz Gonzaga e Miles Davis eu não passava de um certo volume de pus, escárnio, fracasso, medo, covardia e egoísmo...depois, eu me curei.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A santíssima trindade da política brasileira

Esse tema é complexo.
Pode ter muitas combinações. Verdade. Tudo se combina.
Hoje assisti ao Filme "Estômago", produção brasileira e italiana que teve marcante atuação do jovem ator João Miguel. O filme é soberbo. Uma ode a gastronomia e a vida atrás das grades.
Uma direção segura do cineasta Marcos Jorge, revela uma linguagem dura e poética, entre peitos e bundas. Mais peitos do que bundas.
Revela também a realidade e a dureza da vida de quem migra para uma metrópole, só com a coragem e a alma.

Vendo o filme aprendi muitas misturas novas.
Aprendi que a sobremesa Romeu & Julieta se torna Anita & Garibaldi, quando você troca o queijo Minas por gorgonzola.
Aprendi que angustura serve também para destilar um bom rabo-de-galo. Coisas da cadeia.
Tudo bem. Em política também se mistura.
A mistura mais atual é também a mais ridícula. Revela a santíssima trindade da política brasileira.
O ex-boxer Maguila, faz às vezes de chocolate. O palhaço Tiririca seria o caju, um tanto quanto azedado e a Mulher-Pêra, por favor não ria, seria a fruta da estação.
Vejamos então, chocolate + caju + fruta-da-vez = Brasil, aquele que Charles de Gaulle disse que não era sério, 50 anos atrás.

Maguila, Tiririca e Mulher-Pêra...socorro !!! Socorro !!! Socorro !!!

Prefiro a Maria-Louca !

Coisas da cadeia...

GM

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um fim-de-semana perfeito no Rio

Começa com um chopp descontraído, sexta à noite, num boteco qualquer do baixo Tijuca; depois vira-se à direita com destino ao gigante Mário Filho, e lá deixa-se a emoção tomar conta das lembranças dos gols inesquecíveis de seu time.
Segue-se em frente rumo ao Mirante do Leblon. Lá, com a descontração necessária que uma porção de pescada frita pede, deixe-se levar nas ondas de uma cerveja bem gelada e do barulhinho bom do quebra-mar.
Continue. Visite amigos e faça um bom churrasco, mas não se esqueça de que a noite do Rio pertence a Lapa, e lá tudo é quarenta graus.

Se tiver fôlego, na manhã seguinte vá a trilha Cláudio Coutinho, volte a ser criança no convívio de macaquinhos e cardeais e descubra amoras pelo caminho.
Com tranquilidade vá até o Leblon, pare no posto 9 e coma uma porçãozinha de camarão assado no quiosque do Cyrillo. Ele vai estar de bom humor. O camarão também.
Quando o cansaço bater, se bater, siga destino rumo ao forte Copacabana. Lá, beba devagarinho um expresso justo na Confeitaria Colombo e se encante com a vista incrível da enseada de Copacabana, com seus contrastes sociais.
Se chover vá ao shopping Leblon, a feijoada do Botequim Informal é carioca, e da gema.
Se não chover delire, o Rio é todo seu.
Quando a fome apertar o Porcão te recebe e te abraça com o Pão de Açúcar e a Bahia de Guanabara ao redor.
E se você for de samba, o Barril 8000 da Barra te convida a um partido certeiro com Arlindo Cruz. A música é de primeira, o ambiente fica pra depois.
Acorde com sono. Tome um bom café e volte pra São Paulo, de olho no calendário e fazendo planos pra quando voltar.
O Rio é assim, quem prova volta.

GM

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O cinema dos anos 80

Assistia tranquilo ontem à noite ao filme "De Volta Para o Futuro III", produzido pelo Spielberg e dirigido pelo Zemecks. Meu filho deitava preguiçosamente a cabeça na minha perna e minha mulher, por perto, completava a cena.
No meio da fita, bem antes do duelo entre McFly e Beef Tanen, meu filho me surpreendeu com uma daquelas tiradas curtas, que só a crueldade inocente das crianças é capaz. Me perguntou num só fôlego quais os melhores filmes que assisti na minha juventude.
Seria impossível listar. Nem tentem fazer isso em casa, até por que, definir o que é um filme "bom" ou "melhor" , por si, é um desafio impensável.
O filme é bom se assim lhe parece.
Mesmo assim o danadinho insistiu e acabei listando não os melhores, mas sim um compilado daqueles que tiveram alguma importância para mim. Veja abaixo os 05 primeiros:
1. Bruce Lee e o Vôo do Dragão - Assisti provavelmente em 1977, na companhia de meu irmão, numa matiné dupla qualquer do Cine São Gerônimo (que virou supermercado e depois igreja), em Mesquita/RJ. É a lembrança mais antiga que tenho em termos de cinema. A cena de Bruce com Chuck Norris duelando no Coliseu de Roma é a mais importante cena de luta da história do cinema. Impagável.
2. Grease (Nos Tempos da Brilhantina) - Outro clássico que teve uma péssima tradução. Trata-se da adpatação para o cinema do musical da Broadway chamado Grease (e apenas). Tinha Travolta e Olívia Newton-John no elenco. Assisti em 1979 com a turma da rua Cordura, no Cine Verde de Nova Iguaçu. A cena que mais lembro é a cantoria no campo de futebol (Tell me more...).
3. O Feitiço de Áquila - Para quem quiser uma amostra do que é uma bela mulher, veja Michelle Pfeifer neste filme. Uma delícia. Assisti com minha irmã no Cine Méier em 1985.
4. Os Goonies - A trilha de Cindy Lauper era melhor que o filme, mesmo assim foi marcante. Aventura de um grupo de amigos que se arriscam num mundo de duendes e fadas. Assisti no saudoso ano de 1986.
5. Karate Kid - Era 1984. Um filme que marcou muito mais pela boa exposição de virtudes do que pela produção. Um clássico. Pat Morita roubou a cena. Belíssimo filme.
Prometo falar ainda de outros como, A Lagoa Azul, Um Tira da Pesada, Conta Comigo, vamos aos poucos, enquanto a pipoca estoura na panela.

GM