
Talvez a lembrança mais antiga e concreta que guardo ainda de minha infância, aquele tipo de lembrança que se recusa a sumir, é a imagem minha e de amigos de rua, assistindo Ultraman na TV de um vizinho.
Era a TV de Gelsinho, alcunha de Rogelson, amigo de infância que eu não sei mais por quais esquinas anda.
Naquele tempo e naquela TV, Ultraman era inteiro cinza. Anos mais tarde, com o advento da primeira TV a cores de nossa rua, uma Panasonic pesadíssima na casa da linda Sônia, descobrimos que Ultraman era metade vermelho.
Um ultraje !
Naquela época, a TV era minha vida. Junto com o futebol descalço, que tantas unhas do dedão me levou e o mundo das letras, a TV era minha vida.
Com o tempo e o acesso econômico, o cinema veio para o topo da lista, sem jamais tirar o glamour e a paixão pela caixa de luz, apenas veio para o topo da lista.

Terminei agora um livro muito televisivo que recomendo a quem me lê.´
Trata-se de uma aula sobre a produção de TV no Brasil. Escrito por um inspirado Daniel Filho, o livro abre todo o jogo da produção, direção, roteirização, fotografia, pós-produção, casting e tudo-o-mais sobre fazer TV no Brasil.
Tudo isso, além de relembrar a história da TV BR, desde a Tupi até a Rede Globo.
Instrutivo e divertido.
Recomendo.
GM


