quinta-feira, 17 de março de 2011

Daniel Filho e Ultraman



Talvez a lembrança mais antiga e concreta que guardo ainda de minha infância, aquele tipo de lembrança que se recusa a sumir, é a imagem minha e de amigos de rua, assistindo Ultraman na TV de um vizinho.

Era a TV de Gelsinho, alcunha de Rogelson, amigo de infância que eu não sei mais por quais esquinas anda.

Naquele tempo e naquela TV, Ultraman era inteiro cinza. Anos mais tarde, com o advento da primeira TV a cores de nossa rua, uma Panasonic pesadíssima na casa da linda Sônia, descobrimos que Ultraman era metade vermelho.

Um ultraje !

Naquela época, a TV era minha vida. Junto com o futebol descalço, que tantas unhas do dedão me levou e o mundo das letras, a TV era minha vida.

Com o tempo e o acesso econômico, o cinema veio para o topo da lista, sem jamais tirar o glamour e a paixão pela caixa de luz, apenas veio para o topo da lista.


Terminei agora um livro muito televisivo que recomendo a quem me lê.´

Trata-se de uma aula sobre a produção de TV no Brasil. Escrito por um inspirado Daniel Filho, o livro abre todo o jogo da produção, direção, roteirização, fotografia, pós-produção, casting e tudo-o-mais sobre fazer TV no Brasil.

Tudo isso, além de relembrar a história da TV BR, desde a Tupi até a Rede Globo.

Instrutivo e divertido.

Recomendo.

GM

quarta-feira, 16 de março de 2011

Rita Lee e Julie London...rapidinha !



Já disse mais de uma vez que sou fã número zero de Julie London, uma das vozes mais bonitas e mais sensuais do mundo.

Além de cantora, atriz e delícia ambulante, a musa Julie London também serviu de inspiração à muita gente boa no ramo.

Por exemplo, Rita Lee Jones.

A mãe do rock brazuka, empunhando sempre harmonias muito competentes, gestadas pelos acordes hábeis de Roberto de Carvalho, também se deixou influenciar por Julie London.

Encontrei casualmente o K-7 do clássico "Bossa 'N Roll" da Rita, lançado (se não me engano...) em 1991/92, e ouvi uma versão sedosa de "Cry me a River", que foi marca registrada da carnuda Julie London.

Digo, musicalmente, Rita não ficou nada a dever ao original de Julie...nada mesmo. A versão de Rita é belíssima.


Mas eu faço diferente, ouço "Cry me a River" na voz da Rita e imagino as curvas da Julie.

Isto é um 'erro meu' ? Ok, reclamem com o Hebert Vianna.

GM

segunda-feira, 14 de março de 2011

R & B - Rythm and Blues...o que diria Aretha Franklin...?

Afinal o que é R & B ?

Foi a pergunta que o amigo Marlus me fez este sábado, enquanto a turma toda, reunida em frente a fotos de ícones da cultura pop e quadros com covers de discos clássicos, saboreava, lá no "puxadinho gourmet" de casa, uma ou outra birita.

E o que seria R & B ?

Muita confusão já foi feita buscando uma definição musical ou estilística para esta legenda.

Há quem a defenda até como ponto gerador de estilos e/ou como escola original de música.

Lêdo engano.

R & B não é nada disso. E nem Aretha Franklin, Otis Redding e Sam Cooke são ícones do R &B.

Na verdade, estes mitos da música chamada "negra" americana são ícones do soul, do gospel, do (bom) rock, do funk...e até do fusion (seja lá o que isso for...).

Mas não são nomes do R & B.

O musicista Hervé Bourhis, em sua belíssima fábula em HQ chamada "O Pequeno Livro do Rock" (traduzido do francês e editado no Brasil pela Conrad) volta até 1915 e nos ensina, entre outras coisas e outras datas, que o R & B nasceu da necessidade de críticos darem uma classificação mais comercial a música de mestres como Ray Charles, Quincy Jones, Ike Turner e B.E. King (sim, Ben Edward King, compositor de Stand By Me).

Esses críticos, que até 1940 classificavam os títulos e a música de gênios como esses como "race music", tentaram arredondar essa segmentação.

Sim, pois, "race music" era tipicamente americano, segregador, preconceituoso e pouco comercial.

Ocorre que a Bilboard após a década de 1940 começou a reunir a produção desses músicos sobre a égide do selo...R & B.

Isto, na minha infante visão, nada mais é do que outra forma de segregação. Um pouco mais palatável, mas ainda segregadora.

Imagine, trazendo aos dias de hoje, se Milton Nascimento grava e lança um disco de jazz (como aliás já o fez por três vezes...); este disco se fosse indicado ao Grammy, concorreria na categoria de "World Music", não na categoria de jazz.

Reserva de mercado. Pura reserva de mercado, não se deixe enganar.

Jazz é jazz em qualquer parte do mundo e "World Music" não significa nada.

Assim é o R & B. Apenas legenda. Apenas nada. A música, em si, é gospel, funk, soul e... fusion.

Seja lá o que isso quer dizer.

GM

segunda-feira, 7 de março de 2011

Natalie Portman - 2

Sim, eu bem sei que esta super-musa habita os sonhos de muita gente, inclusive de meu amigo Marcelão Caiano, réu confesso.

Mas o que vocês não sabem é que ela, e aqueles pezinhos lindos, pertencem a mim.

Portanto, se algum marmanjo, leitor incauto desta coluna, estiver sonhando em sonhar com este meu petisco, terá que pagar pedágio a mim.

Afinal, essa musa deliciosa, competente e imaginária é toda minha.

GM

sexta-feira, 4 de março de 2011

Phil Collins

Acabei de ler uma nota da Veja no Facebook sobre a aposentadoria de Phil Collins.

Comentei a nota assim:

"Esse vai fazer falta. Eu trocaria fácil sua aposentadoria pela aposentadoria de 1000 Luans e outros 1000 Santanas, entre outros bobocas imagem-não-mensagem.

Phil é diferente. É da época que música era coisa de músicos e não de bundas & peitos.

Achei péssima a matéria da Veja, escrita provávelmente por um jornalista que não conhece música e tem seu mundo resumido à trilogia Crespúsculo e aos seriados da Sony.

Esta pessoa, que felizmente não conheço, deve achar que o mundo achatou com o advento das telas planas (pois antes ele estava confinado ao tubo da TV, não é mesmo?) e que Beatles são dois carros novos da Volkswagem, estacionados lado-a-lado."

Dá licença.

Natalie Portman - 1

A minha mais nova e intensa obsessão.

GM

terça-feira, 1 de março de 2011

Exodus - O de Leon Uris e o de Quincy Jones



O de Leon Uris está entre os livros mais importantes da história literária moderna, na minha mui modesta opinião.

Tive o prazer de fazer a leitura ainda menino, por volta dos meus 15 anos. Um volume muito bem traduzido e editado pelo Círculo do Livro, de capa dura azul e paginação primorosa.

É um relato que mistura jornalismo com ficção, narrando, descrevendo, cortejando a crueldade da discriminação étnica pós-segunda guerra e do anti-semitismo alemão.

Exodus é o nome do navio que leva judeus à terra prometida, semeia a criação do estado de Israel e projeta o nome de Uris ao estrelato como escritor.

Inestimável valor histórico. Imensurável valor literário.

Recomendo !


O de Quincy Jones não fica atrás nenhum centímetro.

Obra-prima do trompetista, arranjador, compositor, produtor, empresário e chato-pra-caramba (o próprio Quincy...), que já arrebatou 25 prêmios Grammy !!

A música começa num levante...uma introdução preguiçosa, estilo Cole Porter, e desliza pauta abaixo num crescendo irretocável.

Os metais se sobressaem, mas as cordas se fazem notar dando um toque meio místico no final.

Disponível para free download, embora torço mesmo é para que vocês comprem o disco.

Recomendo !

GM