
Sábado de aleluia, na livraria Cultura de Campinas, na feliz compania de meu filho em busca de algum material que fizesse valer à pena nosso meio-de-feriado.
Enquanto examinava sóbriamente a estante de LP´s, o filhote me cutucou com a ponta da capa plástica de um CD.
Olhei pra baixo curioso e pude ver naquelas mãos pequeninas o primeiro disco dos Dead Rocks.
Me lembro como ontem: 1994 ou talvez 1995. Na cidade de São Carlos/SP em visita a parentes da patrôa-dona-onça, conheci dois jovens músicos talentosos, ambos primos de minha mulher.
Emílio, hoje baterista e percussionista experiente (já gravou com Milton Nascimento e Daúde) e Fábio Martins, hoje guitarrista dos Dead Rocks, assinando na alcunha de Johnny Crash.
Naquela visita a parentada, pude ouvir o Fábio ensaiando Yesterday (dos Beatles) e fiquei muito impressionado com sua técnica perfeita.
Anos mais tarde, talvez em 1998, foi nossa vez de recebermos a visita do Fábio em Campinas/SP, desta vez na casa dos pais da Dri.
À noite fomos ao bar Delta Blues da Av. Andrade Neves, na época o único reduto sério para quem quisesse ouvir rock e blues em Campinas/SP.
Fábio foi conosco e ficamos todos conversando e ouvindo o bom e velho rock'n roll.
Depois de algumas rodadas tentei um espaço na programação da casa para Fábio tocar Chuck Berry...falei com o gerente, argumentando que ele era um talento vindo de São Carlos e queria fazer um número rápido no intervalo da banda.
Fui solenemente ignorado.
Voltamos a pé para a casa do Sherlock, pois a distância era de menos de 02 quadras.
Voltei a encontrar com Fábio várias vezes e constatei sua evolução musical na execução da guitarra.
Hoje, ouvindo o disco dos Dead Rocks, pude ver o profissional que ele, ou melhor, Johnny Crash, se tornou: um guitarrista seguro, dono de riffs originais e com total domínio do instrumento.
Valeram todas as horas que dedicou ao estudo das escalas.
Comprei o CD e, num repente, comprei também os seguintes LP´s:

- Black Sabath 1970, com aquela foto arrepiante na capa (história rápida: no livro "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" organizado por Robert Dimery, há uma nota dizendo que o fotógrafo clicou apenas a casa...a imagem da bruxa apareceu "sozinha" na revelação do negativo...dúvidas ? Perguntem ao Ozzy);


- Mutantes (1969), o clássico da foto da Rita Lee cantando vestida de noiva na capa;

- 'Crosby, Stills & Nash' (também de 1969), considerado pela revista RS um dos 500 melhores discos de todos os tempos (na capa, uma grande foto dos três sentados num sofá velho e ao lado, a foto de um quarto cara olhando pela janelinha da porta - não é o Neil Young !).
São prensagens de 2008, infelizmente as originais ainda não achei.
Voltamos pra casa felizes, lambendo os dedos sujos de chocolate e dando altas gargalhadas sobre uma estória maluca do Naruto tentando salvar o mundo.
Esta fica pra próxima...
GM
GM




Experimentou cachaça e pediu "Samba em Berlin". Um drink inventado no Rio muitos anos antes por Marlene Dietrich, que misturava aguardente com Coca-Cola no café da manhã. Ao que parece, foi expulsa do Copacabana Palace por fazer nudismo na piscina e fez top less nas areias do posto 6. Deve ter sido uma vista irregular, aquela mulher branquinha, ruiva, com axilas cabeludas e púbis estilo Cláudia Ohana, passeando desnuda entre camelôs e cariocas. Uma visão Tarantino ! Morreu muito jovem, em L.A., aos 27 anos de idade vitimada pela droga que a consumia. Deixou um legado musical único e uma voz até hoje inigualável, apesar das tentativas de Kim Carnes e Tanita Tikaram.
Alguns meses após sua morte, foi lançado o álbum Pearl...uma bomba de alto nível, com blues, rock e soul. Foi tema de filme. Viveu...cantou e deixou saudade. Uma mulher maravilhosa e perdida para sempre dentro da própria cabeça. Uma pena. GM