quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Blues Etílicos
O que corre quando mestres do blues como B.B. King e Eric Clapton param para ouvir uma banda brasileira de blues ?
O resultado poderia ser tacanho se esta banda não fosse o Blues Etílicos.
Os mestres pararam, ouviram e aprovaram. Tanto que numa de suas passagens pelo Brasil, B.B. King fez questão de ter no palco a companhia da banda carioca e brasileira.
O blues é brasileiro. Pelo menos nas guitarras e nas gaitas do Blues Etílicos.
A banda já passa dos 25 anos de estrada, gravou 10 discos e emocionou muita gente boa de ouvido, em shows que lembram a primazia técnica do Allman Brothers e do Lynyrd Skynyrd.
Meu disco preferido da banda é o “Água Mineral” de 1989, o segundo da banda, ainda com o baterista Gil Eduardo (filho de Erasmo Carlos) no comando das baquetas.
A banda faz uma mistura de blues com South-rock e uma pitada de jazz, e coloca em cima um tempero brasileiro para dar liga.
O resultado é um som único. Um blues bem Brasil.
Recomendo.
GM
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
INXS
INXS
Quando pensamos numa banda de músicos e instantaneamente fazemos uma associação com uma época qualquer de nossas vidas, pode-se dizer que o trabalho da banda é datado e sua música fruto da moda.
Vezes em quando, isto não ocorre.
Muitas bandas de pop-rock se tornaram datadas em função da escolha criativa que fizeram.
Outras, não.
Muitas sofreram com isso, em termos de lapsos criativos, vendagens baixas e agenda de shows vazia.
Outras, não.
Quando paro e escuto um disco do INXS, se eu estiver distraído nesse momento, o som vai me parecer como algo do New Order ou do Fine Young Cannibals.
Mas só por um momento.
Na música do INXS a parafernália eletrônica está presente, sim. Mas muito mais como uma adaptação à ditadura dos DX-7 dos anos 80, do que por uma opção da banda.
Os tecladinhos irritantes do A-Ha estão presentes na música desses criativos australianos, mas a estes teclados cabe um papel pequeno e segundo.
Em primeiro plano vem a guitarra forte de Tim Farrris, seguido de perto pelo piano jazzístico de Andrew Farrris, além dos vocais nervosos e inconfundíveis de Michael Hutchence.
Uma banda incrível que soube fazer um som de época sem ser datado.
Na dúvida, basta conferir os hits “New Sensation”, “Devil Inside” e “Beautiful Girl”.
A morte pouco explicada de Michael Hutchence em 1997, quase pôs fim a banda. Mas eles continuam por aí.
Existindo.
GM
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Muito mais do que a outra banda de Mick Jagger
E muito mais também do que uma superbanda, montada para atender a um contrato milionário com a Nokia.
A Superheavy até que nasceu com este propósito, mas quando em 2009 o contrato com a Nokia não foi fechado, eles se perguntaram: “Por que não irmos em frente ?”.
“Eles” são Mick Jagger, o mito, Joss Stone, que além de ser a reencarnação de todas as musas da soul e gospel music juntas e de uma só vez, é também uma das mulheres mais deliciosas do planeta, Dave Stewart, ex-Eurythmics, Damien Marley, filho de Bob Marley, e o compositor indiano A.R Rahman.
Essa turma pra lá de super pesada tem dedicado horas e mais horas a ensaios e arranjos, desde 2009, e em set/11 resolveram abrir o jogo com o mundo.
Numa entrevista coletiva falaram da banda, do disco que vai sair e da primeira música de trabalho, Miracle Worker.
Estou seguro de que coisas muito boas estão por vir, pois essa reunião nada informal de músicos de altíssimo calibre está cercada de muito profissionalismo e produção séria.
Não sei ao certo como os egos inflados serão administrados. O que sei é que já estou à procura do disco, para ouvir em casa, com calma, pensando na Joss Stone e naquelas pernas lindas e branquinhas que ela tem.
E se o famoso Don Juan de alcova, Mr. Jagger, encostar um dedo nela, há de se ver comigo !
GM
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Eram os deuses astronautas ?
A teoria dos astronautas antigos não é de autoria do escritor suíço Erich Von Daniken.
Na verdade, o livro, e mais tarde o filme, "Eram os Deuses Astronautas ?" pode até ter servido de base para a concepção da teoria, mas não há aí, relação autoral.
Então, por que ler Erich Von Daniken, 43 anos após o lançamento de seu livro ?
Fiz a primeira leitura desta obra, que classifico como jornalismo fantástico, por volta de 1985, como parte integrante de uma pesquisa de ciências.
Não me apaixonei pelo tema e nem me tornei ufólogo, mas achei muito curiosa e minuciosa a pesquisa do autor, que correlaciona e acha alinhamentos entre as pirâmides do Egito, as linhas de Nazca e os moais da Ilha da Páscoa.
Tudo com muita lógica e alguma cientificidade.
Ontem caiu em minhas mãos um resumo do livro, no formato apostila e não resisti a uma releitura rapidinha.
O livro continua misterioso e cativante, justamente por misturar jornalismo, com crença no pouco provável.
E dessa mistura nasceu um relato dinâmico e forte, que continua originando até hoje algum debate e emoção, tanto ao leigo como ao acadêmico.
Recomendo.
GM
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Legião Urbana 2
A santíssima trindade do rock brasil dos anos 80 foram os discos Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Maior Abandonado, do Barão vermelho e o álbum Dois, da Legião Urbana.
O sucesso de público e crítica do primeiro disco da Legião, fez com que em determinado momento Renato, Marcelo, Dado e Negrete (ainda como baixista da banda) pensassem em lançar um disco duplo, cujo título seria Mitologia e Intuição.
Naquelas épocas, álbum duplo ainda era uma coisa distante, técnica e economicamente. Logo, abandonaram a idéia.
O álbum Dois da Legião surgiu para consolidar a vocação musical dos garotos de Brasília e trouxe alguns dos hits mais importantes da recente história da música pop no Brasil.
Certamente já ouvimos as músicas Quase Sem Querer, Eduardo e Mõnica e Tempo Perdido, algumas milhares de vezes.
E gostaria muito de poder ouvir outras tantas.
Da discografia da banda este é o disco que mais me agrada.
Daí, portanto, a recomendação.
GM
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Aquelas bandas fantásticas das quais pouco ouvimos cantar
Vamos começar com o Vímana.
Quem ?
Sim, Vímana. Um power quarteto criado em 1974 e que atuou firme até meados de 1978. Que dominava bem as bases do rock progressivo e ensaiava alguns passos em direção ao pop.
Formado originalmente pelos músicos Luis Maurício Paragana dos Santos, também conhecido pela alcunha pop de Lulu Santos (vocal e guitarras); Richard David Court, o badalado Ritchie dos anos 80 (flauta e vocal); João Luiz Woerdenbag, que certamente você conhece por Lobão (bateria) e o tecladista suiço Patrick Moraz (ex-Yes).
A banda ia muito bem, obrigado, até que o tecladista Patrick Moraz surtou e resolveu expulsar Lulu Santos do grupo. O resultado foi a fragmentação do grupo e o fim dos trabalhos antes do lançamento do LP Vímana, que foi gravado e permanece inédito até hoje, nos arquivos da gravadora Som Livre.
Um verdadeiro tesouro a ser descoberto.
Agora é a vez do Som Imaginário.
Quem ?
A banda se chamava Som Imaginário, por que sua música era tão incrível, que parecia ser além da imaginação.
Também pudera, com uma formação que tinha nomes como Wagner Tiso (teclados), Tavito (guitarra e vocal), Luiz Alves (baixo), Zé Rodrix ( teclado e vocal), Robertinho Silva (bateria) e Frederyko (guitarra), não era pra menos.
O grupo inicialmente foi criado para acompanhar ninguém menos do que Milton Nascimento, mas a qualidade musical era grande demais para se contentarem apenas com o papel de banda de apoio.
Ganharam o mundo e são aclamados até nos Estados Unidos. Lançaram tres bons discos, que hoje valem ouro no mercado de vinil.
Se você tiver, não venda.
E o Terço, você se lembra ?
O Terço nasceu para ser um trio de fromação musical eclética, com músicos de rock, MPB e rock rural.
A formação original é de 1968, e tinha nomes como Vinícius Cantuária (bateria), Jorge Amiden (guitarra) e Sérgio Hinds (baixo).
O grupo era inventivo musicalmente, criou o violoncelo elétrico e a tritarra (guitarra de três braços, que teria despertado a atenção de Jimi Page, numa passagem dele pelo Brasil).
Já nos anos 70, o grupo recebeu o reforço de Flávio Venturini e evoluiu muito nas harmonias vocais.
O grupo gravou 12 LP´s e 09 compactos. O último foi em 1999, ainda fácil de se achar, por aí.
O Terço, graças a Deus, continua na ativa, fazendo música de qualidade e preenchendo os espaços vazios em nossos ouvidos.
Abaixo a Lady Gaga !
GM
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Música simples
Diferente do que se chama hoje de música acústica, a música simples está por aí, sim.
Não estou me referindo a selos da MTV, ou a jovens músicos cantando com voz fininha, apoiados por arranjos de cordas, numa tentativa rebuscada de se fazer um folk chic.
O folk não é chic e nem está por aí.
Mas a música simples esta por aí. Ontem mesmo estivemos juntos, eu e ela.
Pode ser na forma de um "Sapato Velho" nas mãos de uns caras de roupa nova. Pode ser algo no estilo de um "Vôo Livre" a bordo de um avião velho que um dia circundou Paris e sua torre.
Pode ser tudo isso ou menos ainda, por que ser simples é ser pouco.
Mas eu gosto.
Eu gosto dos mineiros. A simplicidade deles merece atenção.
Desde os dias em que se tentava aprender violão sozinho, até que de tanto tentar, os dedos sangrando nos pedissem pra parar um pouquinho ou quem sabe desistir.
Eu gosto dos mineiros desde sempre, acho.
Milton e seus tons. Beto Guedes e seu som imaginário. Tavito, quase sempre esquecido. Lô Borges e sua coragem.
Os mineiros são legais. São gente simples. São muitos e poucos.
Ouvir "Clube das Esquina" 40 anos depois é como beber do mesmo vinho. Um álbum 40 anos à frente de seu tempo. Uma taça que pouco esvazia.
Se você quiser simplificar um pouco as coisas ao seu redor, comece ouvindo música simples.
Comece pelos mineiros.
Mãos à obra !
GM
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