quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Como Ver Um Filme

Terminei a leitura de um dos livros mais interessantes, na minha opinião, dos últimos tempos.

Trata-se de "Como Ver Um Filme" da crítica de cinema e escritora Ana Maria Bahiana.  Uma expert quando o assunto é cinema.

Meus amigos sabem, não é segredo nenhum, que gosto demais de assistir filmes.  Os entendidos no assunto chamam isso de cinefilia.  Logo, eu seria uma espécie de cinéfilo.

Na verdade, sou apenas mais um, entre muitos, que apreciam um bom filminho.

Cinema, TV, DVD, Blu-Ray, não importa o formato, bom mesmo é esticar as pernas na minha poltrona favorita, aninhar a cabeça no colo quentinho da minha linda Dª Onça e curtir a película.

Sempre fiz isso como amador, óbvio, mas agora, após a leitura deste livro, peguei um pouco mais de "jeito" na "coisa".

O livro fala de técnicas de filmagem, estilos de diretores, closes, fade-in, filmagem em 1º plano e mais uma dezena de curiosidades sobre a produção de cinema.

Usa exemplos prá lá de didáticos, baseados nos maiores clássicos do cinema.  Isso sem falar que o texto é leve e de fácil entendimento.

Uma ótima leitura !  Recomendo !

GM

terça-feira, 31 de julho de 2012

Uma frase

"O ser humano é uma criatura incompleta, dependente, frágil e conivente socialmente.  Por isso mesmo está no topo da cadeia alimentar."

Anônimo

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Encruzilhada, de Walter Hill



Esta eu devia ao meu filho.

Da minha lista de filmes a assistir com o menino, um estava em destaque.

Um filme de 1986, estrelado pelo ainda jovem Ralph Macchio, pela ainda linda Jami Gertz e pelo sempre talentoso e saudoso músico e ator Joe Seneca.

A direção inócua de Walter Hill não atrapalhou e nem ajudou, pois a estória é daquelas que dispensa genialidades e roteiros pretensiosos.

Tudo gira em torno do Blues. 

Do Blues e da música de Robert Johnson, que teria feito nos anos 30 um pacto com o diabo para se tornar o maior músico de blues do mundo.

Fausto modernizado. Mas, muitos contemporâneos de Mr. Johnson, garantem que o pacto de fato aconteceu.

Na verdade, com ou sem pacto, o filme é sensacional.

Marcou minha juventude e ficou na minha memória muito tempo.  Um filme leve e divertido, com uma mensagem purista de que o bem vence o mal.

Ralph Macchio (Karatê Kid) e Jami Gertz (Abaixo de Zero) fazem o par romântico.  Joe Seneca faz o o bluesman experiente e amargurado e o diabo faz o diabo mesmo.

Em síntese, o filme fala da estória de um jovem guitarrista de NY que sonha em ir para o Delta do Mississipi para aprender e gravar a 30ª canção perdida de Robert Johnson, que na verdade nunca foi gravada.

A cena final é um desafio de guitarras entre o guitarrista do diabo (Steve Vai) e o personagem de Ralph Macchio. 

O Prêmio ?

A alma imortal do jovem guitarrista.

Imperdível !  Impagável !

Recomendo o filme e também a trilha sonora !

GM



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Simplificando o vinho


Simplificando o vinho

Eu aprecio muito beber vinho.

Principalmente o tinto das uvas Malbec, Tannat e Cabernet Sauvignon. De longe minhas preferidas.

Desde 2003 bebo vinho tinto todos os dias. À noite, ao jantar, não mais que duas taças pequenas, de segunda à quinta.

Disciplina religiosa.

Sexta-feira se estamos em casa, bebo um pouco mais, passo um pouquinho da metade de uma garrafa, na presença de minha mulher e de um bom filme.

Já no sábado o ritual é diferente. Se o programa é caseiro, com amigos e família, lá pelas 11h30m ponho fogo no carvão da churrasqueira, separo meus discos preferidos, e, depois do meio-dia, abro um bom Malbec.

Uma garrafa de água das grandes me acompanha também.

Ouvindo música, e não barulho, assando uma proteína generosa, conversando fiado e rindo do que se dá, passo o dia inteiro com uma taça na mão.

E lá pelas 16h00m já se foi a garrafa inteira. Só para mim.

No domingo, depois dos tradicionais passeios e visitas, costumo espreguiçar na minha poltrona favorita, ouvindo o que mais gosto (MPB, blues, Jazz, samba de verdade, rock do bom...) e compartilhando sonhos com meu filho e minha mulher.

Vidinha simples.

Nestes momentos me faço acompanhar de meia garrafa de um tinto suave. Só pra fechar o ciclo com chave de ouro.

Então, se as contas forem feitas, são 03 garrafas por semana, religiosamente, número que se converte em 12 garrafas por mês e 144 garrafas por ano.

Este per capta/ano daria, em litros, 108 litros de vinho tinto.

O consumo médio brasileiro em litros é de 2 litros/ano e a média europeia é de 61 litros/ano (dados do OIV). Então, posso dizer com certeza, que eu bebo vinho mesmo !

Mas estou longe de ser considerado um expert no assunto. Sou apenas alguém que bebe vinho ao jantar e, nos fins-de-semana, de uma forma mais relax.

Também posso afirmar que este hábito de 09 anos, apurou meu gosto e sensibilidade aos tintos.

Percebo sim sutilezas, aromas e sabores que antes não percebia. Mas tudo muito simples e sem mística.

Minha relação com o vinho também é profissional. Trabalho numa casa vinícola tradicional, fundada em 1927, e mesmo sem ser técnico, sommelier ou enólogo, dou meus palpites nas elaborações.

Às vezes eles me ouvem. Às vezes não.

Então, com o objetivo de simplificar nossa relação com os tintos, passo aqui algumas informações comuns, disponíveis em qualquer consulta à web e de fácil entendimento para qualquer um.

Até para mim !

Primeiro, o ato de beber: faça-o diariamente ao jantar. É mais saudável. Não beba mais que duas taças de 200 ml. Acima disso não há benefício.

Acredite !

Beba água. Muita. Álcool desidrata e você precisa repor a água perdida. Por isso para cada taça de vinho, beba o equivalente de água.

Se estiver num restaurante e tiver dúvidas, peça ajuda do profissional que estiver disponível. Às vezes um maitre, às vezes um sommelier. Eles orientam quanto a harmonização mais indicada.

Mas cuidado ! Não compre nada que não seja justo e não ligue muito para harmonizações sofisticadas.

Vinho bom é aquele que você gosta, com a comida que você aprecia e que você possa pagar.

Também não seja ridículo. Não faça o ritual da experimentação (cheirar rolhas, checar viscosidade lacrimal, verificar a cor com um guardanapo branco ao fundo...e outras bobagens mais) se você não é profissional da área.

Não é necessário. Se for tomar um vinho que já do seu hábito, apenas peça para servir e aproveite a festa.

Se for um vinho completamente novo para você e que tenha sido sugerido pelo restaurante, deguste um pouquinho antes de mandar servir.

Se não gostar, devolva a garrafa ! O fornecedor irá trocar para o restaurante.

Agora algumas informações mais curiosas, que não são nada técnicas, mas que são interessantes:

- Corte é o nome que se dá à mistura de dois ou mais tipos de uva. Em francês é assemblage e em inglês é blend.

- Varietal é o vinho que é elaborado a partir de uma única uva.

- Taninos são substâncias que são encontradas principalmente na casca da uva e são responsáveis pela sensação de “secura” na boca.

- Buquê é a característica olfativa que o vinho desenvolve depois de envelhecido e engarrafado.

Agora falando um pouco sobre os tipos de uva mais comuns, na produção de tintos do novo mundo:

- Cabernet Sauvignon: é a uva mais usada na produção de tintos. Requer algum tempo de envelhecimento para realçar suas qualidades.

- Merlot: macio e aveludado. Pode ser degustado jovem.

- Malbec: encorpado e vigoroso. Costuma ter aroma frutado.

- Pinot Noir: taninos leves. Necessita pelo menos uns quatro anos de envelhecimento.

- Tannat: escuro e intenso. Antes de consumir deixe decantar por pelo menos 40 minutos.

- Syraz (ou Shiraz): coloração intensa e bastante frutado.

Como podemos ver, não há nada de mítico ou complicado com o vinho, ou com o hábito de se beber vinho.

A medicina até afirma, através de estudos, que existe alguma relação entre o consumo do vinho e a boa saúde cardiológica e a longevidade. Isto se deve a ação do resveratrol e dos flavonoides.

Mas sobre isso não sou habilitado a falar.

O que posso fazer é brindar e recomendar que você compre um tinto justo, que seja do seu gosto e que harmonize com o que você quiser.

Saúde !

GM




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Tom Jobim e o Samba do Avião


Foi um grande susto.

O convite para Tom cantar e tocar no concerto que iria apresentar a Bossa Nova ao mercado americano, soou como algo distante e lúdico.

Ir ao Carnegie Hall em 1962, a bordo daqueles aviõzinhos quadrimotores e barulhentos, fazer duas apresentações e depois voltar ao Brasil, era algo pictórico.

Além do mais, Tom tinha pavor de avião.

Segundo Zuza Homem de Mello, a bela e simples letra do "Samba do Avião" foi escrita, em parte, para homenagear a beleza do Rio de Janeiro e , em outra parte, para cantar o alívio de ver a aeronave de volta ao chão:

"...dentro de mais um minuto estaremos no Galeão..." foi com certeza uma frase dita por alguma bela comissária de bordo, mas representou também o fim da tortura de estar horas confinado dentro do avião.

Até os 36 anos, Tom nunca tinha saído do Brasil.  Sua música já era grande e internacional, graças ao sucesso do filme "Orfeu Negro" , de 1959, que foi musicado por Tom e Vinícius.

Tom teria recebido muitos convites para ir ao exterior e compor trilhas para filmes.  Foi sondado até para fazer a trilha do Filme "A Pantera Cor de Rosa". 

Recusou solenemente. 

Henri Mancini aceitou.

O avião foi baixando, pousando e a música foi se desenhando dentro da cabeça de gênio de Tom.  O restante da letra viria depois.  A harmonia foi finalizada no piano da casa da Gávea.

O Rio ganhou um hino e Tom perdeu o medo de voar.

Pelo menos, foi o que pareceu.

GM

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Quando a banda "Frente" recriou "New Order"


Uma estória que eu queria contar.

Entre os anos de 1995 e 1996, morando em Sorocaba, recém-casado e ainda sem a brilhante compania de meu filho, escutei certa vez na Transamérica FM (antes desta rádio se transformar no que é hoje) um som que me chamou muito à atenção.

Uma voz melodiosa, fininha mas sem ser chata, uma harmonia simples mas não previsível e um hit dos anos 80.

Não identifiquei a voz.  Achei que fosse uma cantora nova qualquer, ou mesmo uma boa brazuca cantando uma versão em inglês.

A música era "Bizarre Love Triangle" do New Order. Banda ícone dos 80/90, que nasceu de uma virada seminal e trágica do Joy Division.

Uma outra estória.

Mas voltando a voz linda e a versão do hit do New Order, música que muitos insistem em chamar de "Everytime I See You Falling", em função do refrão, fixei minha busca naquele disco.

Não naquele momento.  Depois de ouvir a música pela primeira vez não dei tanta importância assim.

Só me liguei mesmo depois de ouvir a filha de um amigo de Ribeirão Preto (desta vez, já morávamos em Ribeirão), cantar e tocar ao violão a mesma música, isto já em 2000 ou 2001.

Pirei de vez !

Lembrei de ter ouvido a música anos antes e comecei a buscar o CD ou LP.

Nem preciso dizer que não achei nada.  Naquelas bandas, o sertanejo domina as prateleiras das boas lojas do ramo.

Mais uns anos se passaram.  Já morando em Itu, comecei a fazer uma coletânea em MP3 para ouvir no rádio do carro e, meio sem querer, achei de novo a música.  Mas havia algo errado.  Na versão que baixei, que era a mesma que já tinha ouvido antes, a cantora que o arquivo digital assinalava era a Jewel.

Uma bela mulher, dona de uma linda voz e de um  repertório diferenciado.  Também falaremos sobre ela mais tarde.

Então foi com base nesta referência (Jewel) que comecei a buscar o CD/LP.

E nada de achar.  Nem no Brasil e nem em viagens que fazia ao exterior.  Nadinha mesmo.  Investiguei a discografia completa da Jewel, e nada.  Nenhuma faixa em nenhum de seus discos tinha esta música.

Mas como ?  Se o arquivo em MP3 marcava o nome dela e se as buscas na web também relacionavam Jewel a "Bizarre Love Triangle" ???

Somente ontem consegui entender.

Estava em SP e por volta do meio-dia fui até a livraria Cultura do Shopping Villa Lobos para olhar uns discos.

Nos alto-falantes da loja, estava tocando a mesmíssima música que tanto procurava. 

Abordei um vendedor e perguntei sobre o disco que estava tocando.  A resposta foi terrível: "É um MP3 da Jewel, senhor, e nós não podemos estar gravando para o senhor !"

Hum-Hum.

Jewel coisa nenhuma !

Peguei de birra !

À noite em casa, fucei a web até descobrir a verdade num grupo de discussões sobre pop-rock.  Na verdade a dona daquela voz e daquela versão do sucesso do Order era a banda "Frente !"

A faixa foi gravada no obscuro disco "Marvin, the Album" de 1994 e que teve pouca repercussão no Brasil.

Segue abaixo o link para a versão que está no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=IJ1c9ErCn7w

Pudera ter tanta dificuldade em achar.  Esta banda australiana, gravou apenas dois álbuns. A dona daquela voz de fada era a vocalista Angie Hart.

O disco que contém esta versão de "Bizarre Love Triangle" é de 1992, ma foi lançado internacionalmente em 1994.

Voltei na loja.  Encomendei.  Por sorte estava no catálogo da loja.

Agora é só aguardar chegar.  Abrir um malbec.  E apreciar.

Demorou (mesmo) mas a teimosia valeu à pena !!!

Recomendo uma olhadela no vídeo do youtube...se gostarem, encomendem o CD na Cultura que sai por uns R$ 45,00.

Garanto que vai valer à pena !

GM













segunda-feira, 16 de julho de 2012

Banda Black Rio e outras bandas

A maior banda de soul music, swing pop e funk do mundo...é brasileira !

Para quem duvidar recomendo ouvir o disco "Maria Fumaça" da banda "Black Rio", de longe o funk-soul mais swingado do mundo !

Os caras foram e são músicos com formação jazzística e sambística.  Com um pé na lapa e outro no Harlem.

Impossível ouvir sem dançar, ou no mínimo, sacudir o esqueleto.  Recomendo como terapia contra a tristeza e baixo astral.

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Banda Zé da Lapa.

Simplesinho assim mesmo.

Violão de sete cordas, banjo, cavaco, pandeiro e repique de mão.

Noel Rosa.  Elton Medeiros.  Cartola.  Ismael Silva.

Samba de verdade.  Partido com refrão de chamada.  Músicos com muitos calos nos dedos, de muito ensaio e muito samba.

Cachaça da boa.  Comida de botequim.

Como não posso mais morar na Lapa, comprei o disco da banda Zé da Lapa e gostei muito.

Um disco para quem gosta de samba e mau sujeito não é.

GM