segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Papillon

Steve McQueen.

"...Steve foi menino de fazenda, conviveu com hippies, delinquentes e transviados. Passou dois anos em um reformatório da Califórnia e aos quinze anos abandonou a família para ser marinheiro, carregador, empregado de posto de gasolina e vendedor. A sorte chegou quando topou ganhar quinze dólares por semana para dizer um pequeno diálogo por noite em um teatro off Broadway."
E a wikipédia continua:

"...Ele mesmo se definia como um indomável cínico, rebelde e nada bonito, e sempre procurou personagens obcecados por uma ideia, nada românticos e sem o estereótipo do galã. Ao chegar a Hollywood, na década de 1950 foi logo saudado como o sucessor de James Dean."
Assisti anos atrás a obra prima chamada Papillon. Ele, um prisioneiro infeliz numa prisão à prova de fugas na Guiana Francesa. Chamava-se Papillon, pois tinha uma enorme borboleta tatuada no peito.
No filme, há uma passagem muito forte que se destaca: surge a imagem do diretor da prisão decretando sua prisão perpétua e confinando-o a 180 dias de solitária.
Ele foi atirado num cubículo escuro, fedido,cheio de ratos e insetos. Iguarias deliciosas.

Lembro-me de que ia sucumbindo à privação de seus sentidos, da luz e de tudo, quando num repente, localizou no teto da solitária uma barra de ferro atravessada entre duas paredes.
Ele não usou esta barra pra fugir, não naquele momento. Nem para atacar ou se defender pois estava absolutamente isolado.
Num salto rápido pendurou-se na barra e começou a se exercitar. Fazendo exercícios diários e destilando sua raiva e energia, dizia, cem vezes seguidas:
- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...

Desde aquele dia guardo a cena, a imagem e a música que fazia a trilha naquela exata passagem do filme (Simple Man, do Lynyrd Skynyrd).
Desde aquele dia, me reenergizo todas as vezes que um mau caráter qualquer me prejudica:
- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...
Desde aquele dia me revigoro sempre que me iludem com mentiras e ardis:

- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...

Desde aquele dia parei de ter medo da escuridão de mentes pequenas:

- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...

Desde aquele dia rio de idiotas, mentirosos, falsos, cretinos, bastardos, fingidos, sorrisos-amarelos, covardes, manipuladores e gananciosos que vendem a alma ao demônio por uns trocados a mais no final do mês:
- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...

Steve morreu jovem, com menos de 45 anos de idade. Era um louco em muitos sentidos, mas era autêntico.
Não sei quantos dias ainda Deus me reservou por aqui, só sei que serão vividos com 100% de dignidade !
Assistam Papillon. Eu, humildemente, recomendo. Vai ser uma boa fonte de energia para vocês. Aprendam, como eu, a dizer, sempre que puderem:

- Estou vivo, desgraçados ! Estou vivo...

Vamos em frente !

GM

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A festa de Micai

Meu amigo Micai vai fazer 40 anos. Quarenta, que escrevendo em extenso parece menos do que foi. E mais do que seria.
O sorriso highlander vai passar à fase Honoré de Balzac. O maior fígado de Itu. A mais autêntica risada do Morumbi. Um grande irmão paulista. Que com entradas e bandeiras, desbrava toda a tristeza ao redor, transformando tudo em alegria.
Um grande chapa.
Micai não tem pais. Como eu. É, como eu, primitivo naquilo que é certo: onde há luz não há trevas...onde há trevas não há luz. Micai seguiu um caminho de pedras, mas foi polindo-as no transcurso de sua vida.

Para ele não se fez a luta em cursos, só o curso de seu sorriso e de sua picanha ao alho, de longe, a melhor do Brasil.
Chegando outubro anunciando a meirinha de uma estação, no canto de um Quero-Quero valente, veio também a vontade da aurora, de raiar em um novo dia. Em uma nova época. Em uma nova idade.
Tem medo não Micai, eu já fiz 41 e ainda estou por aqui. Falta muito para o jogo final. Nossos artilheiros ainda hão de golear muito e mais do que os outros.

No repertório que te enviei repare que só tem sorriso. O bom DJ que de certo contratarás fará bom uso da lista. Só peça para não esquecer de sugarhill gang, afinal, se é pra festar que se faça direito.

Parabéns !

Vamos em frente !

GM

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Discoteca básica 10 - a última da pretensa lista

Raul Plasman provavelmente diria: "O jogo só vai acabar, quando o juiz apitar"...ou ainda..."Se ninguém fizer gol não haverá vencedor."
Pois é. O juiz não apitou mas chegamos aqui, depois de três meses de pensares e pesares, ao fim da mais pretensiosa lista de referência musical que algum maluco tenha ousado publicar.
Peço que me entendam. Não peço que me aplaudam. Na verdade a idéia nem foi minha. Mas um espírito tenentista verde-oliva me jogou na empreita. Fazer o quê.

Aqui na solidão do quarto do meu hotel despreferido no Itaim paulista, ouvindo o abusados Little Feat na last.fm (a melhor rádio-comunidade da web), me dei conta de terminar a lista.
Naveguei um pouquinho nas nove primeiras dicas. Lembrei que recomendei Ray Charles, por que música dele dispensa a luz; falei de um Chico Buarque construtor, que fez elegia nas estruturas da MPB; sussurrei Miles Davis como dica sonata; belisquei Milton na esquina de seu clube; entre outros, sei que muitos ficaram para trás: uns secos, outros molhados, algumas damas não citadas, todas, acho que caberiam nas entranhas de Betânia...que estava lá.
Fidalguiei Beatles, como se Elvis não existisse. Paciência, perfeito só o Flamengo de 1981 !

Agora encerro a questão e ouso recomendar Tom Jobim e seu Stone Flower, produzido por Eumir Deodato e que boquiabertou todos os gringos de cintura dura, além das terras pau-brasiliensis.
Ele é forte demais. Navega em arpejos para cima e para baixo. Ao piano, suas notas são como gotas de chuva. O cara é bom. Maior do que ousamos crer em homenagens nativas. Pequenas e políticas. A nossa cara.

O cara é bom, mas se foi. Ficou a música, especialmente este seu disco aqui recomendado.
Nossas conversas sobre música não acabaram. Falaremos sempre. Mas chegas dessas listas de alcova. Sou descrítico e prefiro ouvir e beber. Beber e coitar.

Vamos ouvindo, em frente !

GM

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cuidado com o cão

"Na porta da loja há um enorme cartaz: 'Cuidado com o cão'. Um sujeito entra com medo. Mas, uma vez lá dentro, depara-se com um pequenino poodle, com cara de bonzinho e preguiçosamente esparramado no chão.

- Ei ! É esse o cachorro que eu tenho que tomar cuidado ?
- É esse mesmo. Responde a velha atendente.
- Mas ele não me parece nem um pouco perigoso...Por que a senhora colocou o cataz ?
- É que antes todo mundo pisava nele..."

Coisas de Rolando Boldrim.

Vamos em frente !

GM

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Diferenças entre Chico e Caetano

Chico é homem. Caetano não tem sexo.
Chico é poeta. Caetano é completo.
Caetano é violão, com e sem banquinho. Chico é construção, com domínio das estruturas.
Caetano é tropicalista. Chico é tropical.
Chico é Marieta. Caetano é severo.
Chico não canta. Caetano encanta.
Chico é escritor. Caetano cristaliza toda a dor.
Caetano é Billie Jean. Chico á Charles Aznavour.
Chico pensa. Caetano executa.
Caetano é beija-flor. Chico é Benjamin.

Ainda bem que eles existem. Na música e nas letras.

Vamos em frente, caetanear é preciso, expressamente Chico !

GM

sábado, 12 de setembro de 2009

Insight

" Quando você fala com Deus, é por que está rezando. Quando Deus fala com você, e você ouve, é por que está esquizofrênico."
Errol Flynn, saudoso ator americano.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O dia em que achei Belle and Sebastian

Tiger Milk, um petisco irrecusável. Beijo na boca. Harvest Moon do Neil Young, um volta ao começo de tudo e Jason Mraz uma feliz descoberta. Recomendo todos.
Saí do hotel rapidinho para degustar meu espagueti com alho e óleo preferido em Blumenau. No meu restaurante italiano preferido. Sentado à minha mesa preferida. Bem acompanhado de um tinto qualquer.
Na volta, um sátiro bem sem-vergonha me empurrou pra dentro da Bruneti discos. Eu não queria, juro. Mais ou menos.
Entrei naquela que considero a melhor loja de discos do mundo. Gozei na boca. De cara, a Brunetinha me trouxe Tiger Milk, uma encomenda antiga minha, pois não achei nem no Rio e nem em SP, que dirá em Itu.

- Apareceu, hein ?
A jovem vendedora achava que minha encomenda era vazia. Que eu não viria buscá-la. Não, eu cumpro cada deleite que prometo.
E levei de quebra uma coleção de 3 discos de pop-jazz, seja-lá-o-que-isso-for; além de From Elvis in Memphis e Ramones, o primeiro lógico.
No hotel, enquanto tomava banho, deixei na cama, deitadas, todas as capas. No computador tocava Jason Mraz, já disse, surpresa boa, e, claramente depois, Belle and Sebastian.
É por isso que eu ouço !

Vamos em frente !

GM