quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Doobie Brothers



Há música para todo o tipo de ocasião.

Para relaxar eu gosto de ouvir Enya. Para animar uma conversa geralmente coloco um mix de Beatles, Stones, Beach Boys...coisas velhas e lindas do século passado.

Quando a turma chega em casa, certamente o que vai para a ponta da agulha da minha Gradiente é uma sequência de Janis Joplin, Caetano, Purple e Tom.

Existe música para quase todo o tipo de momento. E existem momentos que pedem músicas especiais.

Ontem eu queria ouvir uma música que tivesse um certo e especial tipo de energia, daquelas que te fazem levantar para dançar e ao mesmo tempo parar para ouvir a linha do baixo, o riff da guitarra ou a batida da percussão.

Precisava ouvir uma música que despertasse a adrenalina. Mas que fosse música e não bateção de cabeças.

Foi quando meu amigo João, já familiarizado com a picanha e a cerveja gelada, espetou Doobie Brothers na agulha da velha Gradi.

Era o álbum "Toulouse Street" de 72. O segundo desta incrível banda de rock/jazz/soul/pop.

Tudo misturado e bem junto mesmo !

Se vocêr ainda não ouviu Doobie Brothers, pare agora de ler esta coluna e vá direto ao Youtube assistir qualquer coisa deles.

Ou corra para a loja de discos mais próxima e compre um disco, ou CD se preferir.

A música escolhida por meu amigo foi "Listen to the Music", um petardo de swing e rock. Sincopado na batida e irresistível no riff da guitarra base.

E era esse sim o tipo de música que eu estava precisando ouvir naquele momento. Algo intenso e bem acabado. Algo forte e arredondado.

Doobie Brothers era o remédio que eu procurava.

Vai fundo...prescrição minha, remédio certeiro !

GM

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Café Regina

Saí em busca de novos discos.

Desde abril deste ano que interrompi minhas visitas frequentes a BookStore de Blumenau e a Porto Discos de Porto Alegre.

Mas no fundo sabia que não precisava ir tão longe para achar bons discos de vinil e, então, fazer crescer um pouquinho minha coleção.

Zarpei rumo a Campinas para uma reunião de trabalho agendada logo para as 08h00m da manhã.

Paciência, virtude que hei de desenvolver...

Graças às divindidades nórdicas, sobretudo Thor, a reunião foi rápida e certeira.

Limpa e ligeira.

Conseguimos fechar mais um bom negócio e eu estava livre já as 11h40m.

Com certeza, obra do trovejante.

Caminhei um pouco pelo Centro de Campinas, indo em direção a loja do amigo Riva Rock e a uma outra conhecida como o Casarão Discos. Ambas nas proximidades da avenida Francisco Glicério, sempre nervosa e cheia.

Tinha um objetivo fixo em mente. Acabara de ler a biografia de Paul McCartney e através desta leitura tive uma compulsão em comprar os discos "Band on the Run" e "Tug of War".

Dois dos mais importantes discos da carreira de Paul, na era pós-Beatles. Um com os Wings e outro abosolutamente solo, exceto pela participação de George Martin como produtor.

Este disco tem uma especial importância na vida do ex-Beatle, pois foi o primeiro a ser lançado após o assassinato de John.

A música "Here Today" é uma franca homenagem ao velho amigo de infância.

Não achei nada disso na loja do Riva. Comprei lá dois bons discos de Ray Charles e nada mais.

Segui calçada adiante em direção ao Casarão que tem o mais formidável e mais bem organizado acervo de vinil de Campinas e região.

Dei sorte. "Tug of War" estava dando sopa, logo ali, zombeteiro, em cima de uma prateleira.

Zássssssss !! Comprei e saí rapidinho, com medo do lojista se arrepender de ter vendido.

Eu certamente me arrependeria.

Dobrando a esquerda na Barão de Jaguara, decidi cancelar o almoço e tomar um café no Centro.

Procurei uma cafeteria simples, ao estilo das mais tradicionais cafeterias cariocas, aquelas do Centro velho do Rio.

Achei o Café Regina.

Bem na esquina da Bernardino de Campos com Barão de Jaguara. Por si, este endereço já seria um acontecimento histórico, mas mais que isso, o café é espetacular.

Tomei um expresso com espuma de leite bem durinha e comi, devagarinho, um delicioso bolo de mandioca doce com coco ralado.

Dos Deuses !

Abri a minha sacola de discos e comecei a folhear a capa e o encarte daquela preciosidade de Paul.

Logo dois curiosos bicho-grilescos se aproximaram de mim, no balcão da cafeteria.

Um deles com ares de Ono-Lennon e óculos de armação redonda, usando uma jaqueta verde-oliva e fedendo um pouquinho disse:

- "Tug of War" ?

Eu respondi:

- É..."Tug of War"...

E ele disse:

- Maaaassa....

Aí, bem ligeiro, eu disse para a garçonete:

- A conta por favor...

E foi assim que eu me dei de presente de 43 anos de idade, que completo amanhã, 03 belíssimos discos de vinil, um delicioso café no Regina de Campinas e um bate papo ultra-rápido com uma critura alegre, simpática e quixotesca que vaga pelo centro daquela charmosa cidade.

Massa, muito massa mesmo !

GM

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mardi Gras






Tenho certeza de que você já ouviu, em algum momento e lugar de sua vida, alguma música da banda Creedence Clearwater Revival.




Quanto a isso não restam dúvidas.




Mas vale perguntar se o incauto leitor já teve a oportunidade de ouvir aquele que, talvez seja o melhor disco desta banda incrível, Mardi Gras.




Foi o último disco gravado por eles em estúdio e reflete uma percepção madura, polida e viva do southern-rock.




Ali já eram eles músicos experientes e com uma kilometragem alta de shows, estradas e gravações. Mas preservavam ainda a força e a energia necessária para se fazer um disco de southern-rock intenso e inesquecível.




Um capa mística mostrava um menina, talvez uma jovem feiticeira de voodu, com um pandeirinho enfeitado nas mãos. Adorno aceitável para uma seleção de músicas que viriam selar com chave de ouro a fase de estúdio da banda que melhor soube fundir o blues com o rock e o country.




Lançado em 1972, foi disco de ouro no mercado americano. Trazia pérolas como "Lookin' for a Reason" uma deliciosa balada country com um toque de rock no final.




"Take it Like a Friend" também é um destaque, e os vocais de Cook e Fogerty, harmonizados no final, emocionam.




Recomendo sim, e se puder, acompanhado de um bourbon digno desta audiência.




Banda incrível, num disco imortal.




GM





terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma bela Doña Paula


Outro malbec.

Mais uma inesquecível combinação de sabor, aroma e mistério.

Não guardo reservas e não escondo: sou fã assumido dos malbecs argentinos. Compro com dó e regalo, por favorecer a economia portenha, em detrimento à nossa.

Fazer o que ?

É bom demais !

E quando encontro uma certa novidade numa prateleira, é como uma conquista nova, quase uma paquera sutil.

E o flerte com a garrafa que começa muito antes de sorver o primeiro gole.

Foi buscando por um rótulo de malbec ainda não degustado que tive a felicidade de esbarrar com uma certa Doña Paula.

Uma bela senhora, de corpo e cabelos ruivos e com um torneado garrafal que faz rebolar até a mais contour das garrafas.

Um primor de vinho !

Malbec intenso, aromático, cremoso e com uma certa presunção na personalidade.

E como uma dona qualquer, esta Paula se deixou levar em meu carrinho de compras, e de lá seguiu direto para minha modesta adeguinha refrigerada.

Fiquei vigiando de longe, esperando ansioso chegar aos 13º C, temperatura civilizada para bebuns devotos de Bacco.

Peguei com carinho a garrafa, quase que aninhada ao meu colo, abri com delicadeza para aproveitar ao máximo aquele bouquet incrível.

Perfume de mulher, certamente perfeita.

Deitei um tanto assim em minha velha taça de cristal e bebi devagarinho deixando em contato com a boca, a língua e a bochecha o maior tempo possível.

Num longo e intenso inspirar olhei feliz para o rótulo da garrafa, pensando: que puta vinho !!

Aproximando minha boca mais um pouco do vidro da garrafa, verde esmeralda fraquinho, sussurrei baixinho para ela:

- Você vem sempre aqui ?

Doña Paula sorriu dentro da taça, me convidando para algo mais. E eu fui fundo nos mistérios daquela bela mulher.

Espero ir de novo, muito em breve !

GM






segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Playing For Change 2






A primeira edição já tinha sido espetacular: Playing For Change 1, que conheci pelas mãos do amigo JP, em Blumenau e que me emocionou pela profundidade do projeto e pela qualidade do repertório, arranjo e mixagem.

Quase dois anos atrás, neste mesmo blog, registrei assim, minha impressão sobre o disco:

(...) Assistimos a um clip lindamente produzido pelo técnico de som Mark Johson, aliás, criador do conceito do movimento (sim...é um movimento !); o clip era uma colagem de filmes de músicos de rua interpretando Stand By Me, clássico eterno de B.E. King (não confundir com BB King), nos mais diversos arranjos.
Vozes roucas. Arranjos simples. Muita sofisticação cool. Energia verdadeira. Fiquei intensamente emocionado. Músicos de vários países, inclusive o Brasil, deram a sua contribuição.

Caso não queira comprar o CD, veja o site http://www.playingforchange.com/ e emocione-se. (...)

Hoje volto a este tema para celebrar a vitória do movimento Playing For Change, que além de conseguir gravar o segundo disco e DVD, abriu 07 escolas de música em países em desenvolvimento, com o objetivo de, através da música, tirar das ruas jovens que poderiam se envolver com drogas e violência urbana.


O disco está espetacular !


A base é o som de Bob Marley, cantado em versões de músicos nagô, espanhóis, Brasileiros, Americanos e Italianos.


Incrível como o mentor do projeto, Mark Johnson, conseguiu transmitir ao mesmo tempo emoção e realidade.


Sou fã do movimento ! Faz muito sentido !

Junte-se a nós !


GM

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cinema verdade



Esta coluna bobinha já deu algumas boas dicas de cinema, para os amigos que insistem em sua leitura.

Algumas boas e outras nem tanto.

Já falamos aqui do pop blockbuster autêntico de Hollywood, do cinema novo de Glauber e dos épicos sino-niponicos.

Muita coisa boa e alguma coisa cabeça.

Tem gosto pra tudo.

Mas hoje quero dar uma dica diferente em termos de cinema. Na verdade o que vou recomendar não é um filme apenas, mas sim, uma sequência de filmes que marcaram profundamente a evolução da sétima arte.

Trata-se da coleção sobre cinema europeu, lançada duas semanas atrás pela Folha de SP.

Serão 20 ou 25 títulos históricos, que vão desde Fellini a Antonioni. Todos europeus, na produção, direção e nos protagonistas.

Me parece que custa menos que R$ 15 pratas, favor confirmar.

Alguns são peças de arte e que por isso mesmo são indispensáveis à própria condição humana.

Outros são peças de um quebra-cabeças, que, às vezes, nem vale tanto à pena serem resolvidos.

Apenas assista. É como eu falei, alguns vão gostar muito e outros não vão entender nada.

Exatamente como eu e você.

Está dada a dica.

GM

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A visita do consultor

Ontem recebi, na empresa onde trabalho, a visita de um consultor empresarial, vindo de uma consultoria top de SP, com escritórios em NY e Buenos Aires.

Um jovem de uns 25 anos, metido num terno chic, com cabelo penteado estilo topetinho, lembrando um pouco aquelas figuras engraçadas que aparecem, as vezes, em comerciais de computadores na TV.

A idéia era entender como a metodologia da consultoria dele poderia nos ajudar a implantar um processo novo de remuneração, ligado à aspectos meritocráticos, de comportamento e de atitude.

Acho que estou ficando velho !

Velho e sem paciência. Ou um ou outro. Ou os dois ao mesmo tempo !

Não consigo mais me encantar pelo jargão corporativo. Pelos termos expostos num inglês mal falado. E pela arrogância de quem fala muito, mas muito mesmo, e ouve pouco.

Em uma de suas abordagens, o jovem quis saber sobre meus ideais, projetos e gostos empresariais para ver se havia algum encaixe entre a proposta dele e aquilo em que eu acreditava.

Respirei fundo e me contive.

Tive vontade de dizer que meu objetivo é ficar cada vez mais perto de meu filho e mulher.

Que as coisas que faço e que sou realmente bom são, nesta ordem, churrasco com os amigos, ir ao cinema, ler um bom livro, escutar um bom disco, fazer uma viagem gostosa, ligar para alguém e dizer o quanto a pessoa é importante e curtir as vitórias do Flamengo, quando possível no Maraca.

Isso sem falar em esvaziar várias garrafas de malbec, em boa compania, no fim de semana.

Previsível dizer que a conversa foi se distanciando e se esvaindo em stardust.

Não era meu dia de guru executivo.

Na verdade, sempre acreditei que as empresas passam pela vida das pessoas e não as pessoas passam pelo ciclo das empresas.

Acho que demorei muito para compreender isso.

Ele ainda perguntou que guru da alta administração eu levaria para uma ilha deserta !!

Lógico que não respondi, pois para esta ilha levaria de certo minha mulher, meu filho, meus discos e meus livros, também, nesta ordem.

A visita, graças a Deus, estava no fim.

Como última tentativa ele ainda perguntou se gostaria de agendar uma visita minha ao escritório deles, na Paulista.

De novo uma profunda inspiração de ar encheu meu peito de mais alguma paciência me dando chance de responder:

- Hoje não, meu filho, hoje não.

GM